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Cenas
Inesquecíveis de uma Peregrinação
Viajar como turista pressupõe conhecer lugares novos, aculturar-se,
visitar museus, monumentos, cidades deslumbrantes, hospedar-se
em esplêndidos hotéis, alimentar-se em excelentes
restaurantes, percorrendo grandes distâncias à bordo
de confortáveis ônibus, sempre acompanhado de guias
eficientes e prestativos.
Caminhar como peregrino à Compostela é estar disposto
a cooptar novos hábitos, enfrentar mais de trinta dias sob
o sol, a chuva e o vento, sem a comodidade dos transportes, o conforto
na hospedagem, nem a regularidade de lautas refeições.
Tendo, ainda, sempre em mente que o sono, a fome, a sede e a dor
são componentes indissociáveis da indumentária
peregrina.
Então, para vivenciar condignamente essa aventura, é imprescindível
ter paciência, respeitar o irmão, cultivar a humildade,
manter o bom humor e, principalmente, estar sempre centrado no
exercício da fé e no revigoramento da alma, numa
intensa união espiritual com o Criador.
Eu, como todo peregrino reincidente, senti uma urgência irresistível
de voltar ao Caminho. Por isso, depois de muito estudo e preparação
e, para coroar um sonho antigo, encetei minha peregrinação
em Lourdes (França), de onde parti em direção à Santiago,
numa jornada ímpar, rica de momentos marcantes e inesquecíveis.
Durante os 32 dias em que caminhei, nos quais venci aproximadamente
1.000 quilômetros, vi lindas paisagens, transitei por locais
maravilhosos, visitei igrejas e monumentos colossais, conheci cidades
fantásticas, observei o povo local e fiz novas amizades.
Entretanto, passei, também, por maus bocados e momentos
difíceis, alguns deles dramáticos e outros cômicos,
porém, todos de aprendizado. Pequenas lições
de vida e situações que, conscienciosamente, registrei
em meu diário de viagem, algumas das quais, passo a declinar:
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