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O nosso trajeto de Santiago de Compostela
Batizado de Caminho do Sol, circuito de 240
km vai de Santana de Parnaíba a Águas de São
Pedro
Hélvio Romero/AE
Peregrinos passam por algumas
provações, como enfrentar estradas
de terra e agüentar bolhas no
pé
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SANTANA DE PARNAÍBA - O interior de São
Paulo conta, desde julho, com seu próprio
caminho de peregrinação. Considerado uma espécie
de preparação para os 850 quilômetros de Santiago
de Compostela, o Caminho do Sol, que liga
Santana de Parnaíba a Águas de São Pedro,
num total de 240 quilômetros, atrai, a cada
dia, mais e mais peregrinos. A trilha, de
acordo com o idealizador, José Palma, de 52
anos, leva além. "Aprende-se a distinguir
o essencial do acessório", diz.
A caminhada, que dura 11 dias, serve tanto
para aventureiros em busca de adrenalina quanto
para quem quer repensar a vida. Todos, porém,
vão se deparar com dificuldades pelo caminho.
Eles passarão por canaviais, cruzarão estradas
de terra esburacadas - muitas vezes debaixo
de chuva e com lama até o tornozelo -, enfrentarão
subidas íngremes e ainda dormirão em barracões
improvisados. Sem contar as inúmeras, e temidas,
bolhas nos pés, que fatalmente aparecerão.
Mas ninguém parece reclamar ou se importar
com tamanha provação.
"A vida muda a cada dia de caminhada", explica
Edson Luiz Sardinha, de 55 anos. Veterano,
ele percorreu a trilha de Santiago em 2001
e faz o Caminho do Sol pela quarta vez. "Não
pretendo parar nunca mais", diz ele, que garante
não saber mais andar sem o cajado - instrumento
essencial para os peregrinos.
Radicado há quatro anos em Ventosa, no Caminho
de Santiago, na Espanha, o brasileiro Acácio
da Paz, de 44, veio conhecer o similar tupiniquim.
"Cada trilha é uma descoberta", garante. A
caminhada passa por 12 cidades. Além de Santana
e Pirapora, estão no roteiro Cabreúva, Itu,
Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Capivari,
Mombuca, Saltinho e Piracicaba, até chegar
ao destino final, a capela de São Tiago, em
Águas de São Pedro.
De quebra, a empreitada ajuda a alavancar
o turismo nas cidadezinhas.
Estima-se que cada peregrino deixe, em média,
R$ 30,00 por dia, entre hospedagem e alimentação
- que são subsidiados -, pelos lugares por
onde passa. Quem resolve arriscar, depara-se
com paisagens bucólicas e algumas construções
históricas escondidas no meio do mato.
Hélvio Romero/AE
Fazenda Cana Verde: hospedagem
e visita de um dia
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Curiosidades - Os primeiros quilômetros
são feitos pela Estrada dos Romeiros, às margens
do Rio Tietê. Em Pirapora do Bom Jesus, a
primeira parada, peregrinos vão admirar a
paisagem panorâmica a partir da Cruz do Século,
uma construção do início do século 20.
Alguns quilômetros adiante, lá pelo terceiro
dia de caminhada, já em Cabreúva, o Caminho
do Sol levará até o curioso Armazém do Limoeiro,
instalado no meio do nada. A casa existe desde
1900, ficou 15 anos fechada e foi reaberta
há 1. "Um hipermercado não vende hoje o que
a gente vendia há 30 anos", exagera a balconista
Neli Nunes de Oliveira Silva, de 60 anos.
Atualmente, o armazém serve como ponto de
apoio para o pessoal da trilha e, por causa
da rusticidade, também é cenário de comerciais.
Fica na Estrada da Concórdia, com acesso pelo
km 45 da Rodovia Marechal Rondon.
Aproximadamente 8 quilômetros adiante, a
fazenda Cana Verde, já em Itu, serve de hospedaria
para os "caminhantes". Do século 19, o lugar
respira passado. A casa principal é de 1881
e figura como patrimônio histórico de Itu.
Além das construções, a fazenda tem também
cachoeira, plantações de café, criação de
búfalos e carneiros, além de um campo para
a prática de pólo que data de 1959.
Quem quiser conferir os 238 alqueires da
fazenda e aproveitar para relaxar, há seis
apartamentos simples. A diária custa R$ 70,00
para duas pessoas com pensão completa. Para
passar o dia, paga-se R$ 20,00, com direito
a almoço. Reservas pelo (0--11) 4023-1260.
Como em Compostela, o Caminho do Sol é sinalizado
por setas amarelas, instaladas em árvores,
barrancos e no chão. Elas levam a outras fazendas
centenárias.
No fim da jornada, chega-se à Águas de São
Pedro, de apenas 2 mil habitantes. Lá está
uma capela construída para abrigar a imagem
de São Tiago, doada por peregrinos de Compostela.
(A.C.S.).
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